"Sou Mais do que Pareço" é hoje um modo singular de mudar pessoas que podem mudar o mundo"
"Um ambiente acolhedor, solidário."
"Somos o que criamos e vamos na permantente
relação com o outro."
-Marcia Stocler, Coordenadora do "Sou Mais do que Pareço"
Num escritório, numa firma, nas empresas e instituições as pessoas trabalham para que estes locais produzam, lucrem e lhes dê um retorno financeiro que, supostamente, supra suas necessidades básicas, lazer, educação, saúde, etc. Se nós, seres que preenchem e dão vida a estas organizações, pensarmos somente assim, na produção e no atingimento de metas, certamente, em pouco tempo, estaremos nos sentindo vazios, com pouca motivação e sofrendo de um dos males do século: o estresse e se não nos cuidarmos caminharemos para a atual “síndrome de burnout”.
No livro “Criatividade. Processos Criativos” a artista plástica Fayga Ostrower afirma que criar é uma necessidade orgânica, inerente ao indivíduo, caracterizando-o como um ser único. A criação, ou seja, algo que se materializa, se realiza no seio de uma determinada cultura, configura-se como uma fonte de estímulo para outras produções, que passam a integrar e documentar a cultura local, transformando, interna e externamente, o sujeito e a sociedade. Deste modo, pode-se dizer que a criatividade está para o humano, assim como a criação está para todas as culturas e nasce imersa nos seus costumes e valores.
É nesta vertente da criatividade humana que pode ser contextualizado o trabalho que vem sendo desenvolvido por Marcia Campbell Stocler no Grupo Sou Mais do que Pareço, atividade integrante do Programa de Desenvolvimento para os Funcionários da PUC-Rio. Marcia, bacharel em Teatro e licenciada em Artes Cênicas, concluiu também o curso de Psicologia. Ambas as formações a inspiraram a criar este trabalho, que dirige com amor, dedicação e competência e vem sendo construído no seu dia-a-dia.
O pretexto para a criação desta atividade foram as relações humanas, imprescindíveis em qualquer contexto e inevitáveis no ambiente de trabalho. Para qualquer lugar que nos deslocamos ou permanecemos, levamos quem nós somos, com todas as nossas qualidades e facilidades, assim como defeitos e dificuldades. Desta forma atuamos na vida, o nosso grande teatro. E é neste lugar, na vida, que precisamos iluminar os recantos sombrios do nosso ser e deixar acontecer a beleza e luminosidade da consciência de quem somos.
No grupo Sou Mais do que Pareço, os funcionários, professores e membros da comunidade PUC têm a oportunidade de, sob o olhar cuidadoso e atento da diretora, poder viver as diversas “personas” que habitam em cada um através do teatro. Desenvolver o seu repertório de comportamentos e a partir da tomada de consciência dessas máscaras pessoais, e da possibilidade de utilização de cada uma delas nas mais variadas situações da vida pessoal e profissional, poder viver a experiência da criação e da invenção do si mesmo. No trabalho semanal do grupo, o autoconhecimento vai se dando a partir de cenas teatrais que oportunizam a integração das expressões motoras com as compreensões emocional e intelectual. A utilização deste manancial de possibilidades, criadas a partir da atuação teatral, estimula “o aprendizado experiencial da pessoa e a evolução de novos autoconceitos com base nestas criações comportamentais” (Zinker, J. 2007, pág. 144).
Os esquetes apresentados pelo grupo, que durante 3 anos trabalhou junto e se formou em 2011, foram criados por eles próprios a partir de suas experiências simples do cotidiano. Estas cenas criadas e criativas deram a oportunidade aos participantes de desalojar e reintegrar comportamentos, sentimentos e ideias mal situadas no ser de cada um e abrir a possibilidade de se apresentarem de uma forma nova nas suas personalidades.
Enfim, retomando o pensamento de que “criar é uma necessidade orgânica” e é o que caracteriza o humano, podemos dizer que uma das propostas mais vibrantes do grupo Sou Mais do que Pareço é estimular o desenvolvimento do ser para que ele possa, cada vez mais, se igualar pela sua humanidade, criando e conhecendo novas possibilidades de se relacionar e ser feliz na sua vida, tanto pessoal quanto profissional.
-Tereza Milagres, Coordenadora do Programa de Desenvolvimento da PUC-Rio



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